Nova tradução de ‘Pride and Prejudice’ de Jane Austen

A editora L&PM acaba de lançar uma nova versão brasileira de Pride and Prejudice, de Jane Austen. A tradução é de Celina Portocarrero, com introdução de Ivo Barroso.
A publicação é, sem dúvida, importante, e não faltam motivos para comemorá-la. Primeiro, pelo fato do romance ser uma leitura deliciosa, e segundo devido ao histórico dessa tradução.
Na esteira de acusações de plágio de outras versões brasileiras de Jane Austen, uma das quais eu havia destacado aqui [em inglês], Raquel Sallaberry suplicou em carta aberta a L&PM que considerasse publicar uma coleção de Jane Austen em novas traduções. A editora atendeu ao pedido, e o primeiro livro dessa coleção da escritora britânica acaba de ser lançado.
Com uma sólida reputação por investir em traduções novas de antigos clássicos da literatura mundial, a L&PM tem uma fascinante história, desde suas primeiras publicações sob as barbas da censura, ainda durante a ditadura, até culminar em um prestigiado catálogo no qual se consagram ótimos textos nacionais e estrangeiros, publicados a preços acessíveis ao longo dos seus mais de 30 anos de história.
Celina Portocarrero já traduziu muitos romances e contos do francês e inglês para o português, dentre os quais estão Um Amor De Swann, de Marcel Proust, trabalho que lhe rendeu a aclamação de melhor tradução do francês no Prêmio Açorianos de Literatura, em 2007. Ela também é poetisa, tendo publicado sua primeira coletânea em 2007, pela editora 7letras.
Segundo Sallaberry, a mais recente edição verdadeiramente brasileira de Pride and Prejudice antes desta havia sido uma tradução de Lúcio Cardoso, de 1940. Desde então, duas outras “traduções” foram publicadas com a fanfarra de novas, mas segundo demonstra Denise Bottmann, do blog Não Gosto de Plágio, ambas as edições são cópias de traduções anteriores: uma de Portugal e a outra do próprio Cardoso, atribuídas a “tradutores” desconhecidos e, ao que tudo indica, inexistentes. Publicadas por editoras bem conhecidas no Brasil, elas apresentam semelhanças notáveis com as versões anteriores, incluindo, em alguns casos, os mesmos erros de tradução e mesmas omissões de trechos inteiros.
Infelizmente, o plágio de traduções literárias no Brasil parece ser um problema mais comum do que se imagina, e não apenas privilégio das obras de Jane Austen. São conhecidas, no momento, várias versões assinadas por tradutores fictícios, o que (ilegalmente) livram as editoras de obrigações quanto aos créditos e remuneração de tradutores, de acordo com as leis nacionais e internacionais de direitos autorais.
Enquanto traduções defasadas continuam sendo servidas aos leitores como se fossem novas abordagens de textos originais, o Não Gosto de Plágio, blog meticulosamente detalhado e bem investigado por Denise Bottmann, exige que as editoras envolvidas retirem as edições ilegais de circulação.
É maravilhoso ver uma editora brasileira assumindo o risco de investir em uma nova tradução de um clássico, mesmo que já existam versões em português nas livrarias, e a L&PM merece aplausos por causa disso. É também reanimador ver a opinião da autora de um fantástico blog sem motivações comerciais sendo levada em consideração por parte de uma editora.
Ainda não li o livro, mas já começam a aparecer na internet resenhas entusiasmadas da tradução de Portocarrero. Caso a livraria mais perto de você não estoque Orgulho e Preconceito da L&PM, é recomendável que você o compre online, diretamente do site da editora.
Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice)
Tradução para o português de Celina Portocarreo
Publicado no Brasil pela L&PM
ISBN 9788525419644
Post escrito por Sarah Rebecca e traduzido do inglês por Paula.

Sejá um fã!